O Desenvolvimento do Sistema de Cores Cecor®.

Trata-se do primeiro sistema cromático inteiramente desenvolvido no Brasil, idealizado pelo designer gráfico e artista plástico Nelson Bavaresco, titular da Gerart Design e Recursos Visuais Ltda. Por volta de 1975, um ano depois da fundação da Gerart, Bavaresco sentiu a necessidade de usar a cor com maior conhecimento científico, em função dos trabalhos desenvolvidos por seu escritório de design e comunicação visual.
A partir dai passa a pesquisar com maior rigor os fundamentos de arte e ciência da cor, utilizando a literatura disponível no Brasil. Posteriormente passa a adquirir obras estrangeiras, tornando-se um colecionador de tudo que aquilo que trata do assunto cor.

Ano de 91: um marco para o SCC

Mas foi por volta de 1991 que o assunto cor tomou um certo rumo, uma vez que o mesmo passou também a ser discutido na AECO - Associação Brasileira de Artes e Apoio Ecológico, da qual Bavaresco é um dos fundadores. Com a participação de artistas plásticos, designers, psicólogos e diversos outros profissionais da área de comunicações é criado um grupo de trabalho denominado “Círculos de Estudos da Cor”, o qual detecta que:

"o conhecimento da cor no Brasil era um problema cultural. Isto é, um problema de falta de uma cultura sobre a cor”.

A despeito de ser um país extremamente rico em cores, o Brasil era - e ainda é - muito pobre quanto a essa importante questão, que é o conhecimento da cor. Havia não só a necessidade de programas de divulgação dessa cultura, como também do desenvolvimento de material didático mais acessível.
Após alguns anos de discussão e pesquisas, Bavaresco conclui que poderia desenvolver um modelo tridimensional de cores, capaz de gerar uma metodologia simplificada sobre a difusão da arte, ciência e cultura da cor, focando tanto as questões subjetivas como objetivas.
Como já existiam inúmeros sistemas internacionais em operação, não se tratava de reinventar a roda. A idéia era desenvolver um sistema com vocação para as questões didáticas das cores.

Em seguida, a Gerart Design assume a incumbência de desenvolver o protótipo de um sistema digitalizado de cores, composto por vários módulos, onde se poderia agregar recursos relativos ao ensino e aos processos de harmonia e significado das cores, de forma que este pudesse gerar informações editadas em diferentes formatações e para diferentes finalidades. Em função das atividades iniciais da AECO, o nome CECOR, extraído de “Círculos de Estudos da Cor” seria adotado para o sistema, em homenagem aos trabalhos iniciados poe aquela entidade.

Pesquisas e Estudos nas décadas de 80 e 90

O interesse de Bavaresco pela cor também o levou a muitos países da Europa, em busca de mais literatura, informações e contatos com profissionais, escolas e entidades ligadas à cor.
Na Alemanha, após visitar uma feira de Artes Gráficas e depois outra de Embalagens, em Düsseldorf, aproveita para conhecer a cidade de Weimar, berço de uma inusitada cultura que gerou aquilo que se conhece hoje como Design. Lá conheceu o Museu da Bauhaus, da famosa escola fundada em 1919 por Walter Gropius, assim como sua primeira sede, um edifício projetado anteriormente por Henry van de Velde.
Mas seu principal objetivo em Weimar era conhecer o Museu da Casa de Goethe, o gênio da literatura alemã, cuja paixão pelo fenômeno da cor o levou a produzir um dos mais importantes estudos científicos sobre o assunto, a Farbenlehre (Doutrina das Cores), mais conhecida como “Teoria das Cores de Goethe”.

Na Itália, visitou a “Scuola Politecnica di Design” de Milão, onde conhece Narciso Silvestrini, professor de Teoria da Cor e um dos autores de “Color Systems in Art and Science”, obra já editada em diversos países.
Ainda em Milão conhece também Roberto Salardi, editor da revista “Colore” e fundador do Istituto del Colore. Em maio de 1998 é convidado por este para proferir palestra sobre Harmonia Cromática dentro da “GRAFITALIA”, um evento de artes gráficas da “Fiera Milão”. Posteriormente é convidado também a participar do Conselho Científico daquele instituto. (ver www.istitutocolore.it).

Surge o primeiro modelo

Por volta de 94 é feito o primeiro modelo estrutural do sistema, com 300 cores. Atualmente o SCC está consolidado em sua III versão, com 2.421 tonalidades e o nome CECOR é hoje uma marca registrada da Gerart Design, que administra os negócios do sistema, assim como sua divulgação e o desenvolvimento contínuo de produtos, serviços e cursos, dentro da exclusiva metodologia do sistema.

Aspectos Técnicos do Sistema Cecor®

Inspirado em outros sistemas, como os de Munsell, Ostwald, Natural Colour, e ainda influenciado pela literatura de Gerritsen, Küppers, Tornquist e Silvestrini & Fischer, O SCC se diferencia por ter sido inteiramente desenvolvido em computador, dentro do padrão CMYK. Portanto, suas 2.421 cores podem ser especificadas em qualquer outro sistema de notação, tais como RGB, HSB, LAB, etc., quando da necessidade de cores standard para qualquer finalidade industrial.

Dois tetraedros formam o sólido do Espaço de Cores SCC: a parte superior contém as cores da síntese aditiva (primárias RGB) e a união delas no vértice forma o branco; na parte inferior estão as cores da síntese subtrativa, em cujo vértice se forma o preto, resultado da fusão das três cores do processo gráfico (primárias CMY), como é mostrado no desenho abaixo.

Na linha do equador do sólido localiza o círculo cromático, como uma pizza colorida formada por 24 fatias (matizes). Por sua vez, cada matiz desdobra-se em triângulos, cada um com 100 pontos de cor, formando o conjunto das nuanças claras, vivas, neutras e escuras de cada matiz, além dos 21 pontos acromáticos do eixo central Norte-Sul do espaço de cores.

Flexibilidade do sistema digital, em três diferentes módulos

Bastante flexível e adaptável a novas demandas, todo o material do Cecor pode ser editado digitalmente, em qualquer tamanho e sobre os mais variados tipos de suportes. Mas o mais importante do sistema é ele ser constituído por três diferentes módulos:

Espaço de Cor, que descreve as características de cada ponto de cor em termos de Matiz, Luminosidade, Saturação (MLS). Isso permite a edição de um catálogo com 2.421 cores, para múltiplas funções. Como é um sistema aberto, esse numero de cores pode ser grandemente ampliado, em caso de alguma necessidade específica.

Módulo Didático, que dá suporte científico e artístico ao Sistema, com 20 gráficos sintéticos sobre teoria e interações psicodinâmicas da cor. São materiais destinados ao ensino da arte e ciência da cor.

Cartas de Harmonias, um módulo formado por 22 acordes básicos, que produzem mais de 100.000 ECCs - Esquemas de Combinações de Cores. As Cartas são produzidas sob encomenda de interessados e funcionam como guias de orientação em cores coordenadas para qualquer finalidade estética/decorativa. Desse módulo deriva um produto básico para a popularização da Cultura da Cor: o disco “Fazendo Harmonias e Misturas de Cores”, já vendido a preços populares nas lojas de material para desenho, pintura, hobbyart e grandes papelarias.

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